sexta-feira, Setembro 29, 2006

Praxe Académica

Lá estamos nós novamente em Setembro, com o início do ano lectivo nas universidades, é tempo de tradição - as praxes académicas.
Toda a gente, novos e menos novos, já ouviu falar sobre a praxe académica e todos temos uma ideia mais que não seja preconcebida sobre o que são as praxes, para uns a praxe é uma coisa negativa para outros uma coisa bastante positiva.


Para alguns, a praxe é a única forma de ajudar o caloiro ou recém-chegado à universidade a integrar-se no ambiente universitário, a criar amizades e a desenvolver laços de sólida camaradagem.
Para outros, é um ritual de integração forçada humilhante, retrógrado e difusor dos valores mais reaccionários da sociedade, como sejam o sexismo, a homofobia ou a submissão.

Eu posso dizer que concordo mais com "os outros".
Acho a praxe completamente ridícula. Para mim, praxe é, acima de tudo, significado de submissão. Dizem-me que é óptima para ajudar na integração à universidade, fazer amigos, etc. Tudo bem. Conhecem alguma actividade organizada que, durante 2 semanas, não seja capaz disso?

As pessoas acabam por gostar da praxe porque realmente não conhecem outra realidade. Não sabem como poderia ser a integração se em vez da praxe houvesse outro tipo de actividade. Será que não se podia organizar uma recepção não hierárquica de 2 semanas baseada em relações de camaradagem de igual para igual e que encoraje a criatividade e o espírito crítico? Sem submissão, sem insultos, sem humilhações?

Em pleno século XXI, num país que se diz e é europeu, não parece muito correcto que as pessoas sejam alvo das mais absurdas práticas, como ficarem de quatro como se de animais ovinos e bovinos se tratassem, ladrarem como os cãezinhos lá de casa, ou zurrarem como os burros que aliás são espécie em extinção. Não é muito dignificante para aqueles que serão os doutores e engenheiros e quiçá governantes deste país... Convenhamos... Andam lá agora os pais para isto? Os seus filhos que estudam para doutores advogados a zurrarem pelas ruas?? Isto para não falar de coisas bem mais obscenas a que se assistem em tempo de festas e cortejos...

Os hábitos da praxe que hoje são um anacronismo insensato remetem para um mundo corporativo medieval, para uma época em que as universidades tinham regimento e polícia e em que os estudantes se defendiam da autoridade dos "lentes", construindo um mundo de regras autónomas que reproduziam, aliás, o ambiente igualmente claustrofóbico da universidade "séria".

É, acho eu, tempo de mudar mentalidades. A praxe hoje atira-nos mesmo para uma medievalidade que não queremos.

Está na altura de aparecer gente nova com inteligência, com coragem, que traga novas ideias que possam ser alternativas à praxe.

Passemos todos de vez para o século XXI.

17 comentários:

Irritadinha disse...

Bem eu tenho a dizer que gostei da minha praxe, e está explicado o porquê no post que hoje vou publicar.
A praxe também varia muito de uns intitutos e faculdades para as outras. No ano passado em Silves ni Piaget, muitos caloiros foram obrigados a andar em cima fezes de porco, outros ainda tiveram de andar de joelhos em cima da bela calças portuguesa (o resultado muitos joelhos ensanguentados). Estas claro que considero abusivas, contudo praxes humilhantes ocorrem igualmente se não estou em erro, em alguns olégios militares com miudos bem novinhos.
A intenção da praxe é integrar os caloiros, mas com excessos e aitudes sem sentido, a vontade de se integrarem desaparece. Aceitei a minha praxe como uma brincadeira, o que mais me aborreceu foi o escaldão que apanhei por os veteranos quererem que os caloiros estivessem ao sol (confesso que esta foi a parte mais estúpida da minha praxe).
Actualmente já existem as comissões de praxes, nas quais os caloiros se podem queixar de aalgum abuso ao nivel das praxes que tenham sofrido.
Na minha opinião é preciso levar as praxes na "desportiva", se correr tudo dentro do aceitável e sem ofensas e humilhações, caso não goste de algo ou não participa (foge) ou faz queixa.
Eu sou a favor da praxe, daquela praxe que brinca com os caloiros os faz cantar coisas com as que pubiquei ontem, gosto especialmente da (saudável, apenas a saudavel) rivalidade que há entre faculdades e as músicas que confirmam essa rivalidade.
O resto da minha praxe será hoje publicada! :)

Pedro Fonseca disse...

Mas será que não gostavas mais se fosse feita alguma coisa diferente da praxe? Tal como eu disse, algo baseado em relações de camaradagem de igual para igual e que encoraje a criatividade e o espírito crítico? Sem submissão, sem insultos, sem humilhações?

Será que não seria melhor?

Espinha disse...

Considero esta questão como a lei anti tabaco. Há fumadores e nao fumadores que optam livremente por fumar ou não. Há cada vez mais pessoas pensando ser evoluídas e progressistas que chegam a ser activistas no que diz respeito a querer acabar com tradições pensando não haver outra alternativa senão o progresso e a praxe academica é exemplo disso. Por quê tirar a praxe a muita gente que até quer ser praxado? Será que todas essas pessoas que não gostam da praxe têm conhecimento do que é realmente a praxe? Tal como o tabaco, os "caloiros" também têm a liberdade de optar livremente se querem entrar para a tradição académica ou se desejam integrar-se de qualquer outra forma (que a meu ver não deixa de ser integração). Ninguém é obrigado a ser praxado. Cabe é mudar a mentalidade (isso sim) de todos os que discriminam aqueles que por opção não se querem "humilhar". A todas estas questões eu apenas me limito a contar a minha experiência pessoal. Chegueia dar "o litro" num concurso de caes e fiquei super aborrecido em me ter classificado em 2º lugar! Nao há nada humilhante quando se faz algo no intuito de diversao e nao pondo em causa a integridade fisica e/ou moral. No meu ano de caloiro vivi um dos melhores anos da minha vida e reforcei vários valores, valores estes que na minha opinião são verdadeiramente os que se pretendem transmitir na praxe académica (se esta for bem feita). Nomeadamente, respeito por hierarquias e igualdade entre estudantes. Podem dizer que há submissao em vez de igualdade mas só a existe entre doutores e caloiros, por serem mesmo isso: novatos! O que se pretende com a praxe é transmitir a ideia de "espirito de manada", entreajuda, há igualdade entre caloiros que quando estiverem preparados serão iguais a todos os doutores. Tudo isto por uma simples razão: envergar o traje académico. Tal como uma farda, o traje académico só deve ser usado fazendo-se cumprir determinadas normas. Nem toda a gente está autorizado a usar uma farda de polícia nao é verdade? Um distintivo.. qualquer outra coisa que exija uma prévia preparação. A praxe serve pra isso mesmo, preparar os novatos, ensiná-los como envergarem o traje respeitando a hierarquia. No código da praxe, o traje é visto como símbolo pleno da igualdade de estudantes pois implica o nivelamento de qualquer classe social, olhando um estudante nao se conseguirá identificar um rico de um pobre (além do telemovel que sou completamente contra)um traje de 100% algodao será igual a um 100% poliester pois nao sao permitidas etiquetas, entre muitas outras regras. A própria composição do traje sugere-nos uma harmonia plena entre as seculares classes sociais vividas na monarquia: seja o colete representativo do povo, a batina representando o clero e a capa a nobreza. É esta a igualdade implícita, o espírito de camaradagem que enquanto praxar nunca abdicarei de transmitir. Um episódio marcante vivido na minha praxe foi uma "ordem" de um doutor para que todos os caloiros desapertassem os atacadores do calçado; quando toda a gente o fez surgiu nova ordem: "Agora o ultimo que apertar os cordões está literalmente %#$#&% !! A tendência seria de apertar sofregamente os atacadores de forma a safar-se, tal nao aconteceu... Toda a gente esperou que se chegasse ao ultimo passo da laçada e ao sinal de todos ouviu-se: JÁ!! e toda a gente atou simultaneamente! Toda a gente acataria com o castigo de ter sido o ultimo a atar! Ninguém seria mais que ninguem.. São enumeras as historias que teria para contar, mas prefiro praxar os meus caloiros e transmitir-lhes isso na praxe.
Costuma-se comparar muitas vezes a praxe com a tropa. No fundo eu considero quase a mesma coisa. Porque academia e faculdade/universidade sao coisas completamente distintas. Quem quer estar na faculdade apenas para estudar e licenciar-se opta por frequentar a faculdade, quem pretende algo mais que isso e deseja integrar uma tradição opta por ser praxado e vê realizado um dos sonhos dos pais em ver os seus filhos de negro. Por que são iguais a meu ver a tropa e a praxe? Pelo respeito de hierarquias. Para se chegar a sargento todos tiveram que passar por simples "caloiros". Toda a gente começa de baixo para poder subir na hierarquia. Mais uma vez implicita a igualdade. Isto tem uma infima relação com o que se irá passar nos futuros empregos, quem está em baixo na hierarquia irá muitas vezes "comer e calar" sob pena de ser despedido, é um valor que também mas mais dificilmente se pode adquirir na praxe.. Enfim.. Em jeito de conclusão e pedindo desculpa pela minha extençao, concordo plenamente que surjam novas actividades de integração sim, mas paralelas à actividade académica pois cada qual é livre de escolher o que deseja frequentar.

Pedro Fonseca disse...

"...querer acabar com tradições pensando não haver outra alternativa senão o progresso..."

Eu acho que o progresso é sempre necessário. Seja em que área for. Estagnação ou retrocesso nunca é bom.


"...os "caloiros" também têm a liberdade de optar livremente se querem entrar para a tradição académica ou se desejam integrar-se de qualquer outra forma..."

O problema é que actualmente não há muitas alternativas e assim os caloiros deixam-se ir no que já se conhece e vão atrás de todos os outros. No entanto, não existe propriamente liberdade de escolha, pois há sempre pressão por parte dos "doutores" para os caloiros se submeterem à praxe. Não devia ser assim mas infelizmente é o que podemos verificar.


"Cabe é mudar a mentalidade (isso sim) de todos os que discriminam aqueles que por opção não se querem "humilhar"."

Exacto. Pelo menos era uma ajuda.


"...reforcei vários valores, valores estes que na minha opinião são verdadeiramente os que se pretendem transmitir na praxe académica (se esta for bem feita). Nomeadamente, respeito por hierarquias e igualdade entre estudantes."

Se pensares racionalmente não me parece que tenhas reforçado qualquer um destes valores na praxe. Uma pessoa, à medida que o tempo passa vai aprendendo valores ou reforçando esses mesmos valores. Não é a praxe que te vai incutir ou reforçar qualquer valor.


"Podem dizer que há submissao em vez de igualdade mas só a existe entre doutores e caloiros..."

Exacto. Portanto, não há igualdade, há, isso sim, submissão.


"Tal como uma farda, o traje académico só deve ser usado fazendo-se cumprir determinadas normas."

É assim, mas não deveria ser. Devia-se poder utilizar livremente o traje, como cada um bem entendesse.


"Academia e faculdade/universidade sao coisas completamente distintas"

Não devia ser.


"Quem quer estar na faculdade apenas para estudar e licenciar-se opta por frequentar a faculdade, quem pretende algo mais que isso e deseja integrar uma tradição opta por ser praxado..."

E os que querem algo mais para além do estudar e licenciar-se, mas não vêem a praxe como uma alternativa que os satisfaça?


"...e vê realizado um dos sonhos dos pais em ver os seus filhos de negro."

De negro talvez, mas não me parece que seja o sonho dos pais ver os filhos a fazer tristes figuras em público. Além disso, já foi tempo em que os pais tinham tamanho orgulho em ver os filhos "vestidos de preto". Até porque hoje em dia qualquer um consegue entrar para a universidade. Não é como antigamente...


"Por que são iguais a meu ver a tropa e a praxe? Pelo respeito de hierarquias."

É com essas hierarquias entre estudantes que não concordo.


"Isto tem uma infima relação com o que se irá passar nos futuros empregos, quem está em baixo na hierarquia irá muitas vezes "comer e calar"."

Possivelmente, mas não deveria ser assim. E em vez de tentar mudar o que está mal, juntam-se a eles? Não me parece razoável ou mesmo inteligente.


"...concordo plenamente que surjam novas actividades de integração sim, mas paralelas à actividade académica pois cada qual é livre de escolher o que deseja frequentar."

É isso mesmo que eu pretendo. Se queres que a praxe continue, muito bem. Mas que haja alternativas válidas para os que não querem a praxe.

Espinha disse...

É interessante este tema da praxe pois permite-nos debater muitos outros temas além deste. é muito à frente este tema eheh

"Eu acho que o progresso é sempre necessário. Seja em que área for. Estagnação ou retrocesso nunca é bom."

Alguns progressos na ciencia (em que estou inserido) por exemplo leva-nos a que aumente os raios ultra violetas à superficie do globo devido ao "esburacamento" da camada de ozono. Nao seria melhor ter estagnado em alguns "progressos"?

'No entanto, não existe propriamente liberdade de escolha, pois há sempre pressão por parte dos "doutores" '

Quem está mal neste caso, os doutores que pressionam ou os caloiros que se deixam pressionar? Nao ha liberdade de opção? A praxe pode nao ser uma actividade muito inteligente mas a meu ver é ainda menos inteligente deixar-se subjugar sem querer. Nao disse que estou em desacordo em relação a novas actividades paralelas.

"Se pensares racionalmente não me parece que tenhas reforçado qualquer um destes valores na praxe"

É uma opção pessoal e nao necessitei de nenhuma pressao por parte de ninguem em afirmá-la. Valores de igualdade adquires quando estás sujeito durante um maior intervalo de tempo a uma colectividade. Eu estava inserido num grupo de cerca de 90 caloiros durante um ano inteiro, que outra experiencia similar tens na vida? A tropa?

"Portanto, não há igualdade, há, isso sim, submissão."

Igualdade entre caloiros igualdade entre doutores respeitando uma hierarquia com uma especie de "tribunal" (a comissao de praxe) que faz o julgamento de tudo o que se passa na praxe condenando e punindo os abusos. Igualdade também no sentido de que todos os doutores também ja foram caloiros.

"Devia-se poder utilizar livremente o traje, como cada um bem entendesse."

E acabar-se-ia de vez com o que torna o traje ainda vivo. O que o traje representa é a unificaçao de todas as classes sociais, quebrar as diferenças entre a pobreza e a riqueza. Por que fazem questao em envergar o traje sem regras se até é tao ridículo andar de capa e até está tao fora de moda?!

"Não devia ser."

Por que?

"E os que querem algo mais para além do estudar e licenciar-se, mas não vêem a praxe como uma alternativa que os satisfaça?"

Mais uma vez digo que nao sou contra as actividades paralelas, mas só o acabar com a praxe nao é a solução.

"(...) mas não me parece que seja o sonho dos pais ver os filhos a fazer tristes figuras em público."

Dou um exemplo muito pratico a este comentario: se fores na rua como civil e se resolveres ladrar em público serás olhado de lado e toda a gente passa para o outro lado da rua. Se ladrares sob praxe a maior parte das pessoas até se diverte contigo e não é humilhação pois também é uma forma de te libertares, é uma oportunidade de ladrares em publico sem que as pessoas fujam de ti ja pensaste?! O caloiro tem sempre o direito de recusar qualquer "ordem" se e só se a sua integridade física ou moral estiver em causa, senão não é mais que ninguem... Por isso se ladrar te humilha podes nao ladrar.

"Até porque hoje em dia qualquer um consegue entrar para a universidade"

Diz isso às classes sociais mais pobres...

"É com essas hierarquias entre estudantes que não concordo."

Fora das praxes és igual aos doutores. Não és obrigado a frequentar a praxe. Nao uses novamente o argumento das pressoes, a ditadura ja lá vai.

"Possivelmente, mas não deveria ser assim. E em vez de tentar mudar o que está mal, juntam-se a eles? Não me parece razoável ou mesmo inteligente."

Podemos criar o sindicato da praxe, é uma ideia alternativa razoavel não é?!

"Se queres que a praxe continue, muito bem. Mas que haja alternativas válidas para os que não querem a praxe."

Por que não apresentas ideias? Afinal eu até sou a favor da praxe..

Anónimo disse...

isto nem comentario merecia...mas só podem falar da praxe quem a vive e quem a sente e nao por "outsiders"
praxe é tradição
praxe é convivio
praxe é secular
praxe NÃO É obrigatória
e para para quem nao sabe, a praxe já fora mais dura em tempos antigos, quando haviam os rapanços e as sentenças de unhas, assim como existiam as trupes...
eu, que fui caloiro à 4 anos atrás, já vejo que a actual praxe é muito "leve", consoante o que atravessei...
mas nao me arrependo pelo que passei...
criei amizades para uma vida...
criei amizades para uma melhor entreajuda escolar...
criei amizades com pessoas que nao eram praxistas, que só pelo facto de ser praxista, falavam comigo...
Antes de virem para aqui falar sobre a praxe, primeiro sintam-na

DR. Jenipapo - ISPGAYA

Pedro Fonseca disse...

Filipe:

"Alguns progressos na ciencia (em que estou inserido) por exemplo leva-nos a que aumente os raios ultra violetas à superficie do globo devido ao "esburacamento" da camada de ozono. Nao seria melhor ter estagnado em alguns "progressos"?"

Como por exemplo não termos frigorificos, computadores, máquinas de lavar, etc, etc. Era mesmo positivo...


"A praxe pode nao ser uma actividade muito inteligente mas a meu ver é ainda menos inteligente deixar-se subjugar sem querer."

Concordo em absoluto.


"É uma opção pessoal e nao necessitei de nenhuma pressao por parte de ninguem em afirmá-la."

Não é questão de pressão. A questão é que te estás a enganar a ti próprio.


"Valores de igualdade adquires quando estás sujeito durante um maior intervalo de tempo a uma colectividade."

A formação é uma "coisa" que se vai "ganhando" ao longo da vida. Seja em que aspecto for. Não é apenas numa actividade específica.


"Por que fazem questao em envergar o traje sem regras se até é tao ridículo andar de capa e até está tao fora de moda?!"

Exacto. Também não percebo, mas que os há, lá isso há.


"Diz isso às classes sociais mais pobres..."

Eles é que me dizem a mim ;)


"Fora das praxes és igual aos doutores"

Pois... fora das praxes.


"Nao uses novamente o argumento das pressoes, a ditadura ja lá vai"

Parece que em algumas actividades que se praticam isso não é verdade...


"Podemos criar o sindicato da praxe, é uma ideia alternativa razoavel não é?!"

lol É uma ideia. Mas não tem a ver com o que eu disse.


"Por que não apresentas ideias? Afinal eu até sou a favor da praxe.."

Organizar actividades como se organiza as praxes, durante o mesmo periodo de tempo, em pleno convivio entre todos os estudantes, sejam eles do 1º,2º ou 3º ano. Já falei disso no "post".

Pedro Fonseca disse...

Jenipapo:

Parece-me que passaste um pouco ao lado do que aqui se falou, em especial do que eu falei.


"mas só podem falar da praxe quem a vive e quem a sente e nao por "outsiders""

Porquê? De qualquer forma eu insiro-me nessas pessoas. Há 7 anos que convivo com as praxes. Por dentro, por fora, pelos lados. Mas a questão não é essa.


"praxe é tradição"

Sem dúvida.


"praxe é convivio"

De acordo.


"praxe é secular"

Pois.


"praxe NÃO É obrigatória"

Quase de acordo.


"e para para quem nao sabe, a praxe já fora mais dura em tempos antigos, quando haviam os rapanços e as sentenças de unhas, assim como existiam as trupes..."

Lamento dizer-te, mas pelo menos em Coimbra isso ainda existe. E cá em Braga ainda existem trupes. Fora isso ninguém diz que dantes não era mais dura. A questão não é essa.


"eu, que fui caloiro à 4 anos atrás, já vejo que a actual praxe é muito "leve", consoante o que atravessei..."

E daí? Mais uma vez digo, passaste ao lado do que aqui se falou.


"criei amizades para uma vida...
criei amizades para uma melhor entreajuda escolar..."

Porque não havias de criar? Tens assim tanta dificuldade para as criar? Foi preciso a praxe?


"criei amizades com pessoas que nao eram praxistas, que só pelo facto de ser praxista, falavam comigo..."

É triste :(


"Antes de virem para aqui falar sobre a praxe, primeiro sintam-na"

Porquê??? Mesmo que não a sentisse, isso não era argumento para não falar dela. Um exemplo um bocado obscuro: as pessoas que têm uma doença tipo a sida sofrem e acabam por morrer. Tu sabes isso e, felizmente, não sentiste...


Acho que é preciso fazer alguma reflexão e ser um pouco racional antes de se "tentar" argumentar...

Espinha disse...

"Como por exemplo não termos frigorificos, computadores, máquinas de lavar, etc, etc. Era mesmo positivo..."

Que preferes, os frigorificos e morrer por sobre aquecimento global?

"Não é questão de pressão. A questão é que te estás a enganar a ti próprio."

Nao merece comentário :) Eu nao argumento só para ser do contra, se digo que gosto de algo é porque realmente gosto. Estás a por em causa tudo o que eu opino poderei estar a enganar-me sempre a mim próprio! Acho que não é por aí..

"A formação é uma "coisa" que se vai "ganhando" ao longo da vida. Seja em que aspecto for. Não é apenas numa actividade específica."

Mas pode ser reforçada numa situação ou actividade. Se alguem lutar durante um ano contra uma doença terminal acredita que vai ser marcada, para o resto da vida, a personalidade dessa pessoa.


Um comentário final, penso que com um esforço mútuo de praxistas e menos praxistas se conseguirá criar um paralelismo à praxe mas levanta-se a questão: Não criará dois grupos distintos? Não aumentará a rivalidade e a diferença entre os alunos?

Ps: Muito bom post! Continua!

Pedro Fonseca disse...

"Que preferes, os frigorificos e morrer por sobre aquecimento global?"

Mas não se pode pôr as coisas nesses termos ;)


"Não criará dois grupos distintos? Não aumentará a rivalidade e a diferença entre os alunos?"

Muito boa pergunta, à qual eu não sei responder. Mas espero que não.

Irritadinha disse...

Eu concordo contigo, há muitas praxes que são abusivas e humilhantes, mas também é certo que já algumas coisas mudaram e as praxes variam de instituição para instituição. Como já disse as praxes não são obrigatórias, e actualmente existem as comissões de praxes às quais o caloiro pode-se queixar de humilhações e abusos de autoridade dos quais tenha sido vitima.É também preciso não esquecer que o grau de ofensa e sensibilidade ao que é feito durante as praxes varia de individuo para individuo.
Não me posso queixar das praxes que tive em Portugal, porque criei realmente laço de camaradagem e amizade com os meus colegas. Não houve humilhações, é claro que tentavam ver um pouco da submissão dos caloiros mas nada que fosse abusivo.
Nas praxes como em tudo é preciso haver respeito, saber respeitar e ser respeitado, dentro de tais parametros não vão ocorrer abusos de ordem alguma. Penso eu.

Pedro Fonseca disse...

Sim, concordo, mas a questão é: será que não seria melhor haver uma alternativa às praxes? Não seria muito mais interessante? Mais divertido? Mais instrutivo?

Irritadinha disse...

Com sinceridade não me parece que de modo algum que um dos objectivos das praxes seja instruir. Quanto à alternativa Às praxes, acho que não deveria existir pelo simples motivo que uma praxe onde exista o tal respeito que referi anteriormente, não é abusiva nem humilhante para ninguém. O ser mais divertido, desde sempre nunca se agradou a gregos e troianos em simultâneo. Defendo a continuidade, e adopção por todos, da praxe sem abusos. Se mesmo assim existir quem não goste ou não divirta, seria caso de arranjar uma alternativa para esses caloiros (para eles não ficarem excluídos).
Parece-me que se a praxe académica acabasse (mais uma vez repito a equilibrada e divertida) o início de vida universitária não teria a mesma piada. Enfim serão situações a expor à associação de estudantes, ou mesmo àqueles grupos que nas faculdades são contra as praxes. Não se limitem a distribuir papeis sobre a lei anti-praxe, arranjem alternativas para que partilha da sua ideologia também se divertir, certo?

Irritadinha disse...

Quando digo que não deveria haver uma alternativa à praxe,refiro-me a uma alternativa que a substitua por completo.

Pedro Fonseca disse...

"Parece-me que se a praxe académica acabasse (mais uma vez repito a equilibrada e divertida) o início de vida universitária não teria a mesma piada."

Poderia não ter a mesma, mas até poderia ter mais. Claro que também poderia ter menos. Não se pode saber.


"Não se limitem a distribuir papeis sobre a lei anti-praxe, arranjem alternativas para que partilha da sua ideologia também se divertir, certo?"

Concordo.

Espinha disse...

"Poderia não ter a mesma, mas até poderia ter mais. Claro que também poderia ter menos. Não se pode saber."

Mas Pedro, entao pra que a mudança?

Pedro Fonseca disse...

Porque na minha opinião, neste momento não está bem. Se aquilo para que se mudar também não estiver bem, há que mudar outra vez. É assim que normalmente se faz ;)